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Animada com gays, Espanha quer abrir ainda mais o turismo e ganhar dinheiro

  • 11 de nov. de 2015
  • 2 min de leitura

A Espanha está desesperada por turistas gays e lésbicas. É que a gente contribui com mais de US$ 6,8 bilhões para a economia espanhola, segundo relatório publicado pela LGBT Capital no mês passado, derrotando por pouco a França como o principal destino da Europa.

Os gays gastam em média cerca de 30 por cento a mais do que os demais turistas na Espanha, conforme estimativas do governo, e estimulam uma economia onde o turismo é responsável por 12 por cento dos empregos.

Embora cada vez mais países, como a França e o Reino Unido, estejam adotando leis de igualdade de direitos e autopromovendo-se para os turistas gays, a Espanha está muito à frente. Até a liderança conservadora de Madri está aceitando o fenômeno.

A Espanha se tornou em 2005 o terceiro país europeu a legalizar o casamento gay – depois da Bélgica e da Holanda -, saindo da sombra da ditadura católico-romana do general Francisco Franco, que morreu em 1975. Essa decisão estabeleceu o prestígio da Espanha como um destino de férias onde as pessoas podem ficar à vontade em relação à própria sexualidade, às vezes até de um modo que não poderiam em seu país de origem.

A cada mês de agosto, Barcelona recebe o maior festival gay da Europa, que atraiu 71.000 visitantes neste ano. Durante as duas semanas de festa, a segunda maior cidade da Espanha fica coberta de cartazes com boys magia anunciando festas direcionadas aos visitantes gays e as lojas exibem descontos especiais, de espreguiçadeiras a passes gratuitos em academias, enquanto a cidade é dominada pela vida noturna contínua e festas na piscina.

Turistas gays no ano inteiro

Com ingressos de acesso total à venda por 360 euros (US$ 406), os organizadores dizem que os eventos geram 150 milhões de euros para a economia local. Depois de oito anos, o festival está se expandindo para Ibiza neste ano e para as Ilhas Canárias em 2016, para atender à demanda cada vez maior por eventos destinados a gays e lésbicas.

“Esse fluxo de visitantes repercute nos bares locais, nas academias de ginástica, e até os motoristas de táxi querem se envolver”, disse o organizador Tés Cuadreny, em uma entrevista em seu escritório em Barcelona. “Eles sabem que isso traz benefícios para todos”.

Em Madri, até o governo regional conservador está aderindo à causa. A presidente regional Cristina Cifuentes levantou a bandeira do arco-íris, simbolizando apoio à comunidade gay, em edifícios institucionais pela primeira vez depois que venceu a eleição em maio. Em 2005, seus colegas do Partido Popular, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, conduziram 100.000 manifestantes em uma marcha contra a legalização do casamento gay.

A capital espanhola gerou cerca de 120 milhões de euros com a maior parada gay da Europa no início do verão da Espanha, de acordo com Noche Madrid, uma organização destinada à vida noturna.

“Esse é um mercado de viagens de alta renda, que não está preso às férias escolares e que costuma ser mais aventureiro”, disse Carlos Kytka, diretor executivo da Associação Europeia de Turismo Gay, que trabalha com mais de 4.000 membros do setor, em sua maioria, hotéisna Europa. “É fácil encher hotéis em Barcelona durante o verão, o que nos diferencia é que viajamos o ano inteiro e gastamos dinheiro, e isso mantém a continuidade do fluxo de caixa”.


 
 
 

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